Os últimos estudos sobre o aquecimento global mostram a decisiva influência das atividades do homem no aumento da produção dos gases que provocam o efeito estufa, deixando claro que esse é, hoje, um problema de grande interesse para a humanidade.
O município do Rio de Janeiro, como um dos principais do Brasil, não poderia deixar de preocupar-se com um assunto tão relevante sobre a sua repercussão na qualidade de vida da população e na economia da cidade.
As mudanças globais, de acordo com os estudos apresentados este ano pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU, são de grande impacto. Entre elas, podem-se citar a precisão de elevação do nível dos oceanos de até 59cm de altura, nesse século, e o aumento da temperatura, que tornará inviável a vida em alguns locais desse planeta.
Os estudiosos do assunto garantem que as alterações climáticas poderão ser ainda mais graves do que as apresentadas no estudo. A expectativa é de que o novo estudo a ser divulgado em outubro próximo traga dados mais completos e alarmantes.
Essas ameaças chegariam até o Brasil de diversas formas, com cidades litorâneas sendo bastante atingidas pela elevação do novel do mar e com grande parte da Amazônia se transformando em cerrado. As mudanças globais em relação aos efeitos regionais precisam ser mais detalhadas.
Pode-se dizer que, do jeito que está, não vai dar para continuar. A grande saída é agir de forma diferente, modificando o ambiente e criando novos hábitos e novas tecnologias. É preciso ter uma nova forma de economia.
Uma economia em que as empresas busquem um desenvolvimento sustentável, que possibilite um crescimento e uma qualidade de vida melhor. Não é só substituir combustíveis fosseis por outros mais limpos, como o etanol. É ir além.
É crescer de forma sustentável e limpa com ações em todos os setores, porque o Brasil e o Rio de Janeiro tem um papel muito importante nas discussões ambientais. Não foi sem motivo que, em 1992, o município foi a sede da Rio-92, liderando um evento ambiental de grande porte. Tal fato deverá ocorrer de novo esse ano quando a cidade será sede, em outubro próximo, da reunião de divulgação do quarto relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, que tratará medidas de mitigação dos efeitos negativos das mudanças do clima global.
Reduzir o impacto negativo das mudanças na vida social e na atividade econômica da nossa cidade é tarefa de todos nós. Não se pode esperar para agir. É preciso incentivar um consumo consciente e não predador e abandonar esse modelo de desenvolvimento injusto que se tem praticado nos últimos anos. As populações mais pobres, mais uma vez, serão aquelas a pagar o preço mais elevado.
As políticas de enfrentamento dos impactos das mudanças climáticas no Brasil devem ser resultantes de decisões nacionais, chamadas decisões de “Estado” e não apenas decisões desse ou daquele governo local. É algo que se precisa pensar por vários anos, sistematicamente, com a certeza de que é necessário adorar medidas urgentes para minimizar os efeitos do fenômeno ambiental sobre a humanidade. E para que isso se torne uma realidade, na agenda global de governança e políticas ambientais, é preciso conceber um conjunto de ações pró-ativas e estratégicas.
É esse debate que começamos a travar na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, através da Comissão Especial criada por minha solicitação, a fim de recolher as expectativas e sugestões da sociedade e da comunidade científica, num esforço conjunto para a adoção de políticas públicas voltadas para o enfrentamento permanente dos efeitos do fenômeno ambiental, nessa cidade de São Sebastião, abençoada e privilegiada pela natureza.
Fonte: Vereador Paulo Cerri